EM ROMA SEM VER O PAPA
Na passagem por Roma dos britânicos Cradle of Filth, durante a digressão de
promoção da reedição do último álbum, «Cruelty and the Beast», que os trouxe a
Portugal no mês de Novembro, os músicos não viram o Papa, mas tentaram. E, com essa
tentativa, levaram muito que contar. Tudo porque se passeavam calmamente pelas ruas do
Vaticano com T-shirts que tinham impressas «I Love Santan». A banda, conhecida pelo seu
lado satânico, estava em plena sessão fotográfica, cujo cenário era Cidade Santa,
quando foram abordados pelos polícias do Vaticano. Para além da T-shirt que Dani, o
vocalista, usava, os guardas consideraram também como ofensa a coleira que o cão da
teclista, Les «Lecter», tinha ao pescoço. Segundo o agente da banda, Fay Woolven, em
declarações ao «New Musical Express», «fomos rodeados pelos guardas, que estavam
armados. Apontaram-nos as armas e pediram-nos os passaportes. Estavam a ficar
completamente loucos, e diziam "isto é obsceno!". Perguntam qual era o género
de música que tocava-mos, e quando um dos elementos da banda afirmou ser "música do
mal" ("evil music"), eu rapidamente tive que corrigir dizendo que era
apenas música rock». A situação ainda piorou mais quando Dani, a fim de se
identificar, apresentou o seu passe oficial de acesso ao palco - lá estava escrito
«Deseja.me como Satanás»; para além de mostrar o corpo de uma mulher coberto de
sangue, e pregado numa cruz. «Isso não ajudou em nada à resolução da situação, que
já em muito grave, uma vez que eles tinham um concerto, nessa noite, em Roma.
Prenderam-nos por cerca de uma hora. No fundo, queriam fazer-nos sofrer, e estavam
constantemente a ameaçar-nos com a prisão», continua Fay Woolven. No entanto, a banda
foi libertada a tempo de fazer o concerto. Por parte do Vaticano, não houve nenhuma
confirmação nem desmentido quanto ao incidente. Segundo Dani Filth, «de entre os oito
policias, só um é que falava Inglês, e esse era um fá de rock se não fosse por ele,
provavelmente ainda estávamos detidos em Roma». Mas esta não foi a única polémica
recente sobre os Cradle of Filth. Depois da emissão de «Living With The Enemy», a
britânica BBC2 foi confrontada com centenas de reclamações sobre o programa dedicada à
banda satânica. «Living With the Enemy» tem como propósito juntar, durante cinco dias,
pessoas de ideais completamente diferentes. Os Cradle of Filth escolheram juntar-se à
mãe e a uma tia de um dos seus fás. Aparentemente, o resultado tinha sido pacífico,
até porque uma das senhoras tinha, de facto, gostado dos músicos. Quem não gostou mesmo
nada foi o público, em geral, por ouvir, durante o programa, treze vezes a palavra
«cunt» (calão para «órgão genital feminino»).